“Passarim quis pousar, não deu, voou”

Quando o sufoco já não consegue anular a tenacidade do fluxo sanguíneo, todo o corpo então amarelo tristeza de estagnação sublima devido ao calor de uma nova respiração. É como voo de passarim, tiro de canhão.

Não há contra-vontade que segure!

O perfume da flor ainda está lá. Ficou. Ficou porque precisa ser conduzido na dança para cheirar além da flor. Passarim que não voa, não sente novo perfume. Ainda bem que eu, depois de vestido de passarim, não pousei. Eu também não quero ficar sentado.

Tons de pele

Eu estou tonto. Os olhos passeiam sem qualquer sincronia com o cérebro. Esse embaraço pode parecer distúrbio espiritual, mas não. É fome. Nutrir o peito e deixar a fome é o desenho-projeto das íntimas substâncias do meu mais cavado interior. Esse interior não se alimenta apenas de sorriso, voz ou imaginação. O principal componente para que toda minha vitamina fique saborosa é o calor proveniente do toque.

Quero o sabor e o cheiro do unido para expulsar a tontura!

Do distante vem o estímulo. Do daqui permanece a indiferença. Eu não queria narrar o abatimento, pois seria injusta alguma sensação de culpa por qualquer tentativa minha de emitir um sinal de pesar. Só que a fome persiste. Cá estou a vestir-me de aflito a cada caminhar do tempo. Não faz sentido dizer que morte me seria causada por essa fome, pois a própria fome já é o incentivo do prosseguir. Se há fome, sempre haverá o apetite e nunca o abandono. Por ora, me caso com a espera. Uma vez me disseram que o tempero mantém a luz inflamada. Alguma faísca pode sim sair, mas só será claridão se o tempero vier acompanhado com tons de pele.

Ótimo remédio (ou [o perfume da flor no inverno caloroso de estrelas])

Nesse eterno imbróglio da vida entre ao mesmo tempo me amar e amuar, decidi ancorar-me no colo de Rosa sem qualquer expectativa sobre o fim da minha abulia. E pela vontade no restante que havia, aproveitei o ensejo de um beijo quentinho pra hoje Rosa ter nenhum lamento por falta de carinho.

Ela quem fez o maior bem no fim das contas. Ali no perfume da flor minha abulia inerte virou anseio crescente.

Luziu!

Sem cacheados – mesmo assim linda morena – Rosa floriu, voou e numa doce demora vem voltando pra dançar com mais amor.

Esse post é acompanhado por música:

Childville

Quanto riso! Oh, quanta alegria! A graça da pacata cidade fazia o amarelado chão sem asfalto ser belo e acolhedor. Acolhia a criançada de corpo e de alma servindo também para base da pouca vegetação presente. A surrealidade era realidade, porque apesar de tudo se apresentar em cores, havia distorção de tonalidades como se fossem afetadas por um engenhoso programa de computador.

Um dia eu soube o que era o vivo propriamente dito. Assim estava o ambiente unido ao tempo comum das águas correntes do rio com as evaporadas do varal. Deixei de lado minhas teimosias e não tive medo de fazer parte daquilo tudo. Fui! Razão para sentir medo não podia ter mesmo. Logo notei que a cabocla do sotaque encantador era um detalhe perto da imensidão de prazeres vistos naquela terra tão serena. Há tempos acostumado com minha cercania humana, busquei euforicamente por um culpado. O estranho é que pessoas ignoravam minha existência dentre os becos ensolarados.

A criançada espalhada era o motor da cidade. Só sabendo disso que também fui perceber que eu era elas ou elas, eu. Não sei. A cidade que pertencia ao Estado de Transe era de ninguém, apenas dela mesma. Deusa da vida.

A Metaliguagem ou A Aula dos Redatores

Ela parece que tá com o dedo no nariz. É esse o sentido, né? Foi o fotógrafo que quis.

Aquilo fica registrado e só não exala pra quem não lê. Antes ali não havia palavras e então alguém começou a simbolizar. Cada um tem uma bola diferente na cabeça. O diferencial é conseguir a persuasão.

E ao terminar:

A vida é muito mais que os dias, que os deuses, que os jornais.

FUU…

Contagem regressiva: 24 horas

  • Lavar casa
  • Lavar roupas
  • Passar roupas
  • Fazer comida
  • Lavar a louça
  • Estudar
  • Fazer trabalhos da universidade
  • Trabalhar na universidade
  • Pagar seja lá o que for
  • Aguentar o ser humano
  • Preocupar com o ser humano
  • Tomar banho
  • Comer
  • Beber água
  • Dormir

Eu sou um poço de felicidade!

Out-flow

O que hoje me preocupa não são as suadas tentativas de obter a “glória para o sucesso do pós-ensino médio”. Agora os choros são outros e mais intensos. Depois de ter passado o ritual, os resquícios dessa glória até resistiram um bom tempo, mas foi só uma máscara que cobria a angústia e o descontentamento. A distância geográfica como principal obstáculo causa tremedeiras além das comuns. As ondas que vibram meu cérebro incomodam muito. Nunca amei e odiei o ser humano tanto como agora. Nunca desejei que o tempo parasse e voasse no mesmo instante. O limite está chegando. Na verdade já chegou, pois eu é que dei um jeitinho de deixar pra depois.

Cada vez mais sinto nojo da perfeição, do politicamente correto, das boas maneiras ditas por sei lá quem como metas de um viver digno. Ainda tenho que tirar forças pra suportar o cheiro de todo esse lixo. Se tento minimizar, acaba se maximizando. Como então segurar? Essa é a pergunta na qual respondida, pode inverter os pólos dessas malditas ondas vibradoras.