Lá vem ele

(Fotógrafo, identifique-se)

O Sol dessa cidade é incansável. Quando do leste vem surgindo, já não se pode esconder a persistência do desejo de iluminar os mais obscuros becos e porões. As corujas da minha rua sabem bem disso. É luz que dói os olhos, dói na pele. Se fosse de sua ‘graça’ só a doação da luz, o incômodo seria irrelevante. O pacote de presentes da grandiosa estrela não é tão simples. E que presentes ela me deu! Justo para mim que ousou subestimar essa força inimaginável.

Palmas sofre. Já não bastasse o Sol fazer a felicidade das janelas, há um ambiente que faz desanimar qualquer pedestre a atravessar suas largas avenidas. O calor inédito para anfitriões e forasteiros é notável – claro que é! Pensando bem, é bom que meus lábios trincados não convivam com a umidade roubada pelo lago. Seria pior suar minhas roupas e não vê-las secar meia hora após a lavagem. Essa sensação nada comum perdura até a estadia da Lua. Realmente é uma força inimaginável, sufocante.

por Bruno Rangel Cesar

Mas não iria embora sem me dar o melhor presente. Ou melhor, o único bom presente. A impressão é que ele sabe do seu tempo de partir e ainda sim insiste em ficar por mais alguns instantes. O show nunca acaba enquanto o artista está no palco. No adeus de mais um dia, o Sol abençoa a cidade das rotatórias gigantes com um fascinante abraço de vida. O melhor abraço que recebi.

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