Prato do dia: pipoca

O certo é que não era mais uma personagem e a rua não era apenas um cenário (ou era?). Aquele indivíduo que passava sobre o piche duro e velho suava mistério. Enquanto havia movimento, também havia paralisação. A explicação pode ser dada pela temperatura nada carnavalesca, mas apesar de parecer lógica essa argumentação, não se aplicava ao contexto.

Ele sabia. Sentir as pupilas dilatarem no ritmo e fluxo das batidas do coração era sinal de contentamento ou frustração. Nessa conjuntura ficamos com a segunda opção. Porém como só ele entendia, o desentendimento ficava para o lado oposto. Mistérios são confusos, principalmente para os impacientes que já os denominam de chatices. Eu que não estava naquela rua e em rua nenhuma, aliás, estava sim em muitas ruas ao mesmo tempo – não digo como alguém dos tipos de todos os seres concretos, mas como um abstrato quase onipresente. Pois então… Eu entrei e disseminei e gozei e aproveitei. Quando a raiva invade, existe uma onda de sensações fazendo surgir seja em quem for, comportamentos bem distintos. No caso do pedestre, eu me alimentei – e como! Ele não sentia fome nem frio. Apenas caminhava se orientando na intensa escuridão.

Aquela vida se inquietava no breu congelante. Dava pra sentir o cheiro da pipoca estourando em nitrogênio líquido.

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